Florianópolis, 22 de janeiro de 2018
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Trabalhadores e trabalhadoras não receberam o valor das multas pelo atraso salarial que motivou a greve em dezembro. Foto: SindSaúde/SC

Sem salários, trabalhadoras/es entram em greve no Hospital Florianópolis

Reportagem:

O principal hospital da área continental da capital, Hospital Florianópolis (HF), gerido desde 2013 pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), está em greve novamente. Repetindo a situação vivenciada pelas trabalhadoras e trabalhadores em dezembro – a SPDM atrasou salários em seis dos últimos 12 meses –, mais uma vez os salários não foram depositados após o quinto dia útil e a categoria optou por paralisar as atividades a partir das 7h desta segunda-feira (8/1). Além do pagamento dos salários, o movimento de greve reivindica que a SPDM libere os contracheques dos trabalhadores e pague a multa pelo atraso salarial no mês de dezembro.

Trabalhadores e trabalhadoras não receberam o valor das multas pelo atraso salarial que motivou a greve em dezembro. Foto: SindSaúde/SC

Trabalhadores e trabalhadoras não receberam o valor das multas pelo atraso salarial que motivou a greve em dezembro. Foto: SindSaúde/SC

Na região continental de Florianópolis, o HF é a única opção de emergência com portas abertas para a população, uma vez que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) continental nunca foi inaugurada, apesar de ter sido concluída em 2015. A opção mais próxima para quem precisar de atendimento é o Hospital Regional de São José, unidade que já teve de suspender atendimentos na emergência por superlotação em algumas ocasiões no último ano. No HF mantêm-se o revezamento entre os funcionários para atender pacientes internados e os casos urgentes. Cirurgias eletivas poderão ser canceladas.

Desde 2013, quando deixou ser administrado diretamente pelo Estado, o HF reduziu suas metas contratuais em 30%. Atualmente, os procedimentos são realizados pelos servidores públicos remanescentes e por cerca de 500 trabalhadores contratados pela SPDM. Nos últimos quatro anos, várias especialidades já foram fechadas. Somente quatro dos dez leitos de UTI estão funcionando. Em julho de 2017, as cirurgias eletivas e o atendimento de emergência foram temporariamente suspensos. O orçamento mensal do HF é de cerca de R$ 4 milhões, sendo que 49% é gasto em folha de pagamento.

As organizações sociais na saúde: o caso da SPDM

O modelo de administração de unidades de saúde pública por Organizações Sociais chegou a Santa Catarina nos anos 2000, no Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON). Desde então, a Secretaria do Estado da Saúde terceirizou a gestão de diversas outras unidades para entidades desse tipo. Acumulam-se atrasos salariais, falta de insumos e medicamentos e fechamento de serviços a população. O fechamento da emergência 24h do CEPON é exemplo disso.

Além do Hospital Florianópolis, a SPDM também administrava o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e o Hospital Regional de Araranguá. Assim como no HF, nessas outras duas unidades, os problemas de gestão e atrasos salariais eram recorrentes, o que levou a Secretaria do Estado da Saúde (SES) a rescindir os contratos com a empresa paulista.

População de Araranguá abraçou o hospital em ato neste domingo. Trabalhadores seguem sem garantia de contrato pela nova administradora. Todos os serviços estão paralisados. Foto: agorasul.com.br

População de Araranguá abraçou o hospital em ato neste domingo. Trabalhadores seguem sem garantia de contrato pela nova administradora. Todos os serviços estão paralisados. Foto: agorasul.com.br

No caso do hospital no sul do estado, trabalhadores estão em greve desde o começo de dezembro por conta da falta de pagamento de salários. O contrato com a SPDM foi rompido e a SES já contratou emergencialmente outra empresa para fazer a gestão do hospital que tem  salários atrasados há quase um mês. Trabalhadores também não têm qualquer definição sobre o pagamento das rescisões contratuais e a recontratação dos cerca de 300 profissionais pela nova administradora.

O SAMU também viveu um fim de ano de incertezas, com greve por atraso salarial e o posterior rompimento do contrato com a SPDM. Médicos, motoristas, enfermeiros e todos os trabalhadores só conseguiram garantir o recebimento das rescisões contratuais na justiça.