Florianópolis, 22 de janeiro de 2018
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Movimentos sociais campesinos fazem greve de fome na Alesc contra a reforma da Previdência

Reportagem: e

 

No total, a greve de fome ocupa 15 assembleias legislativas em todo o Brasil. Em Santa Catarina atos de vigília também acontecem em sedes do INSS nas cidades de Blumenau, Chapecó e São Miguel do Oeste, além da capital. Por aqui estão presentes membros de movimentos dos municípios de Florianópolis, São José dos Cedros, Palmitos, Quilombo, Lages e Campos Novos.

 

Trabalhadores/as ligados à movimentos sociais campesinos estão fazendo greve de fome por tempo indeterminado no hall da Assembleia Legislativa, desde a tarde de terça-feira (12/12). Chamado “Dias de Fome”, o protesto faz parte da jornada de lutas contra a Reforma da Previdência, e acontece também em outros 10 estados brasileiros. Participam do segundo dia de greve membros do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimento Quilombola. Os grevistas catarinenses também são solidários à membros do MPA que estão no 9º dia de greve de fome, em Brasília.

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Justina Inês Cima, membro do Movimento de Mulheres Camponesa. Foto: Lucas Weber / MARUIM

Movimento de Mulheres Camponesas, Justina Inês Cima, natural da cidade de Quilombo, defende que a reforma agravará as dificuldades na vida dos/as agricultores/as. “Em meio a tantos cortes de direito que estamos vivendo, especialmente para quem vive da agricultura, a reforma da Previdência é a que mais preocupa. Os trabalhadores do campo são assegurados especiais pela constituição, caso a proposta de unificação das regras de trabalhadores rural e urbano aconteça, seremos muito prejudicados”, declara a grevista. Por ser mais penoso devido às poucas condições oferecidas ao pequeno agricultor, o trabalho no campo precisa ser tratado com as especificidades que demanda, defende Justina, que prevê prejuízos na renda dos municípios que têm a agricultura familiar como principal fonte de renda. No município de Palmitos, por exemplo, 14% da renda que circula é proveniente da Previdência Social.  

Rodrigo Timm, Membro da coordenação estadual do MAB/SC, fala sobre o simbolismo que a ação carrega. “A greve de fome é pra dizer que sem a Previdência social, as pessoas literalmente não vão ter acesso aos bens básicos e vão estar em risco de passar fome, sobretudo a população camponesa”, conta o grevista que também participou de ato na sede do INSS hoje. Os manifestantes entregaram uma carta aberta aos deputados estaduais de Santa Catarina cobrando posicionamento contrário a reforma da Previdência, bem como pelo seu arquivamento.

A reforma, se aprovada, afetará diretamente os pequenos produtores rurais, especialmente as mulheres. Segundo o texto, a idade mínima para que elas se aposentem será de 62 anos, e 65 para os homens, com tempo mínimo de 25 anos de contribuição para receber o benefício de forma integral. Outra mudança é na seguridade especial na agricultura, que prevê a obrigatoriedade de contribuição em caráter individual por cada membro da família, com pagamento mensal por 25 anos.

A reforma da Previdência começará a ser discutida nesta quinta-feira, mas ainda não há data prevista para votação. Caso Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, decida pela votação da reforma ser feita ainda neste ano, os grevistas continuarão ocupando as assembleias legislativas e sedes do INSS pelo Brasil.

 

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Grevistas no hall da Alesc. Foto: Lucas Weber / MARUIM

 

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Carta entregue aos deputados nesta quarta-feira.