Florianópolis, 22 de janeiro de 2018
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Na praia, sem medo! Mulheres se manifestam no Rio Tavares

Reportagem:

Ao longo do caminho que vai da Joaquina ao Campeche, no Rio Tavares, dezenas de ruas tem trilhas para a praia. O estupro de uma jovem em uma das trilhas na quinta-feira (30/11), enquanto retornava da praia por volta das 16h, fez movimentar moradoras e moradores em uma manifestação no último sábado (9/12). O evento foi organizado pelo facebook através da convocação da moradora Gilza Thompson, que conta ter se sentido com raiva pelo crime e o medo gerado por ele. 

As pessoas se encontraram na altura da Pedrita, em um bar da região, para fazer a concentração, pintura de cartazes e muito batuque. A marcha seguiu pela rua e trilha, com intensidade e um clima afetivo. A vizinhança da rua abriu os portões e as janelas ao ver o ato passar, celebrando, apoiando e, entrando junto na caminhada. A manifestação finalizou com um abraço coletivo na areia.

Gilza Thompson, moradora do Rio Tavares

Eu convoquei este ato no facebook porque eu acordei com raiva! Acordei de manhã, “não vou correr hoje porque estou com medo”. Eu moro aqui no Rio Tavares há um ano e meio. Já peguei várias cenas horríveis enquanto fui correr nesse período. Então eu tendo a desconfiar de qualquer cara. Também porque tem histórico de casos de violência contra as mulheres de muito tempo. A gente quer ir correr, levar as crianças junto. Eu gostaria de um acesso para a praia no meio que a gente soubesse que seria monitorada, que estaria segura. Porque tem um acesso na Joaquina e um no Campeche, o meio aqui é todo inseguro.

Barbara Christofanelli, moradora do Rio Tavares

Eu acho que a gente tem que se fortalecer em nome de inibir essas pessoas que não tão inibindo a gente. Temos que nos fortalecer e mostrar pro pessoal que tamos juntos pra fazer esse movimento acontecer, inibir essas pessoas de mau caráter. Acho que é uma reconexão, a gente formar um grupo, porque tem muita rixa entre mulher e foi-se perdendo a essência da mulher, que é feita uma pra acolher a outra. E acho importante esse resgate, juntas somos muito mais fortes, muito maiores também. Talvez só dessa forma, eles se sintam acuados. Aqui para ir para praia eu tive que ir uma vez com meu cachorro, porque era fim de tarde, eu tava com medo de ir então foi a única maneira que me senti segura. Sempre passo correndo pela trilha, não passo tranquilamente andando, fico muito atenta em quem está ao meu redor.

Claudia Souza, moradora do Alto do Ribeirão

Sou cozinheira, vegana, tenho duas filhas, gosto de ir à praia. Vim para Floripa para ter uma melhor qualidade de vida, acredito no ser humano, sei, já melhorei muito, acredito que a gente possa melhorar sempre mais e hoje eu estou aqui nessa manifestação para isso, para gente ter uma melhoria na nossa qualidade de vida, pelos nossos bens comuns. Poder fazer uma trilha e chegar nesse encanto, nesse paraíso, independente se eu sou homem, se eu sou mulher, se é dia, se é noite. Nosso direito de ir e vir preservado. Minhas filhas estão crescendo, eu mudei pra cá para elas terem um maior contato com a natureza, para elas poderem usufruir desse mundo maravilhoso e assim aprender a serem seres humanos melhores. A gente mora aqui na ilha, qualquer movimento que nos assegure nosso direito, a gente tem que estar presentes.

Rio Tavares

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