Florianópolis, 22 de janeiro de 2018
Search
Hospital Florianópolis

Trabalhadores/as do Hospital Florianópolis paralisam atividades por atraso nos salários

Reportagem:

Trabalhadores/as do Hospital Florianópolis – contratados pela SPDM – decidiram, em assembleia geral nesta quinta-feira (07/12), iniciar greve a partir de segunda (11/12) por falta de pagamento dos salários de dezembro. Os/as trabalhadores/as começaram a fazer paralisações, que devem durar até o início da greve, de duas horas no período da tarde, das 13 às 15h e no período da noite. Segundo o SindSaúde/SC, a direção do HF, em reunião com o sindicato na tarde de ontem, afirmou que não há previsão para o pagamento. Desde 2013, o Hospital localizado no Estreito deixou de ser 100% público e passou a ser gerido pela Associação Paulista Para o Desenvolvimento da Medicina.

Somente em 2017, os salários foram pagos com atraso, pelo menos, cinco vezes. A convenção coletiva da categoria prevê o pagamento de uma multa de 10% sob o salário, quando há atraso no pagamento, além dos juros, o que também não tem sido cumprido pela Organização Social que gere o HF, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). A pauta de reivindicações da greve tem quatro pontos: 1) pagamento do salário em atraso e multas pendentes; 2) garantia de emprego na transição da gestão do Hospital, e garantia inclusive de opção de ser demitido aqueles trabalhadores que assim optarem; 3) melhoria nas condições de trabalho, em equipamentos, insumos; 4) apresentação de cronograma de transição.

Em novembro deste ano, os trabalhadores só receberam depois de anunciarem o estado de greve. “É um absurdo termos que parar para garantir que os salários sejam pagos. Como pode o trabalhador fazer seu serviço durante todo o mês e não receber por isso? Essa tem sido uma constante no HF desde que a SPDM assumiu a gestão. Está mais do que claro que as OSs não melhoram os serviços em saúde, pelo contrário, precarizam ainda mais”, afirma Edileuza Fortuna diretora do sindicato e trabalhadora do hospital.

A justificativa da gestão é que há atraso no repasse financeiro do Estado. Entretanto, a responsabilidade da administração é da empresa. Além das mobilizações, o sindicato entrou com uma ação de cumprimento na justiça para que a OS pague as multas e os salários atrasados.  

OS não cumpre com contrato em outras unidades que administra

Em Santa Catarina, além do HF, a SPDM administra o SAMU – que está com o contrato sendo analisado por uma comissão da Secretaria de Estado da Saúde e pode ser rescindido; e o Hospital de Araranguá, onde cerca de 300 trabalhadores também entraram em greve em novembro por não receberem seus salários.

O contrato de administração do Hospital Florianópolis, firmado entre SPDM e SES, também está prestes a expirar e há interesse da Secretaria em trocar a gestão do Hospital. 

Desde 2013, o Hospital deixou de ser 100% público e passou a ser gerido pela Organização Social. De lá para cá, as metas contratuais diminuíram 30%. Os serviços são realizados pelos servidores públicos remanescentes e por cerca de 500 trabalhadores contratados pela empresa. Nos últimos quatro anos, várias especialidades já foram fechadas. Somente quatro, dos dez leitos de UTI estão funcionando, como também as cirurgias eletivas e o atendimento de emergência foram temporariamente suspensos em julho deste ano. O orçamento mensal do HF é de cerca de R$4 milhões, sendo que 49% é gasto em folha de pagamento.