Florianópolis, 21 de novembro de 2017
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O adeus do Cacumbi do Capitão Amaro

Reportagem:

Reportagem de Joana Zanotto, Lucas Weber e Kainã Pacheco Santos

Faz duas semanas, João Campos veio puxando a família no Cacumbi como o seu pai costumava fazer em vida. A manifestação ocorreu na missa em memória às primeiras/os moradoras/es do Morro da Caixa, na Capela São Judas Tadeu, no Estreito. Apesar de Amaro ter ajudado a construir a igreja da comunidade, esta foi a primeira vez que o Cacumbi do Capitão Amaro se expressou nela.

O Cacumbi era uma prática exercida pelos escravos africanos nos canaviais. Representa as guerras entre reis e rainhas contra os escravos, homenageando Nossa Senhora do Rosário e o santo de origem africana São Benedito. Os grupos costumavam percorrer as ruas para os santos de devoção e entravam nas igrejas quando permitido, a convite do padre.

A jovem cantora Eloisa Gonzaga nasceu em um período em que a manifestação vinha se perdendo de sua família. Desde o falecimento do patriarca Amaro em 1991, a tradição passada de geração a geração se realiza de forma esporádica e folclórica. Eloisa, que hoje estuda Música, na Universidade do Estado de Santa Catarina, pesquisa sobre a história para o seu Trabalho de Conclusão de Curso.

“Quando eu entrei na universidade não via o Cacumbi como possibilidade de estudo. Mais tarde percebi, principalmente no curso mesmo, que ele representa a cultura negra em Santa Catarina. A minha minha maior inquietação é entender porque essa prática foi terminando aos poucos. Outra coisa, mesmo o Cacumbi sendo considerado um dos grupos que representa a cultura negra ainda é invisibilizado no estado.”