Florianópolis, 12 de dezembro de 2017
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Os instrumentos de Polo

Reportagem:

Por Lucas Weber

Em mais uma das ruas estreitas, esburacadas e de terra e areia, que pertencem ao Rio Tavares, o morador da última casa vive vizinho do mato. Em seu ateliê, de aspecto laboratorial, a partir da madeira, ele dá vida a instrumentos. Polo não sabe quantos já criou: "são incontáveis, não penso nisso. Muitos estão inacabados porque começo outro sem terminar."

Em mais uma das ruas estreitas, esburacadas e de terra e areia, que pertencem ao Rio Tavares, o morador da última casa vive vizinho do mato. Em seu ateliê, de aspecto laboratorial, a partir da madeira, ele dá vida a instrumentos. Polo não sabe quantos já criou: “são incontáveis, não penso nisso. Muitos estão inacabados porque começo outro sem terminar.”

 Leopoldo Augusto Cabrera Zúñiga nasceu em Santiago, Chile, no dia 28 de fevereiro de 1945. A influência da música veio da mãe, que sempre estava tocando. Mas a primeira carreira que iniciou foi a do pai, de jornalista. "Meu pai criou jornais por toda América Latina. Ele era muito amigo do Neruda, uma constante visita lá em casa."

Leopoldo Augusto Cabrera Zúñiga nasceu em Santiago, Chile, no dia 28 de fevereiro de 1945. A influência da música veio da mãe, que sempre estava tocando. Mas a primeira carreira que iniciou foi a do pai, de jornalista. “Meu pai criou jornais por toda América Latina. Ele era muito amigo do Neruda, uma constante visita lá em casa.”

Polo desistiu de ser jornalista no início da ditadura de Augusto Pinochet. "Por causa da repressão, me juntei com amigos e começamos a lutar com música. Formamos o grupo Agua". Depois de uma grande turnê pela América Latina, Polo veio morar no Brasil a convite de Almir Sater. "Conheci quando estava na Bolívia. Fui com ele ao Mato Grosso do Sul." Polo desistiu de ser jornalista no início da ditadura de Augusto Pinochet. "Por causa da repressão, me juntei com amigos e começamos a lutar com música. Formamos o grupo Agua". Depois de uma grande turnê pela América Latina, Polo veio morar no Brasil a convite de Almir Sater. "Conheci quando estava na Bolívia. Fui com ele ao Mato Grosso do Sul."

Polo desistiu de ser jornalista no início da ditadura de Augusto Pinochet. “Por causa da repressão, me juntei com amigos e começamos a lutar com música. Formamos o grupo Agua”. Depois de uma grande turnê pela América Latina, Polo veio morar no Brasil a convite de Almir Sater. “Conheci quando estava na Bolívia. Fui com ele ao Mato Grosso do Sul.”

Decidiu vir à Florianópolis devido as inúmeras recomendações de amigos. Esta realizado. Não sai por motivo algum. Quando chegou aqui começou a construir instrumentos Sua casa foi montada comunitariamente há 28 anos, junto com o ateliê. "Eu tenho 30 instrumentos que são especiais. Mas nunca pensei no nome. Só sei seu som."

Decidiu vir à Florianópolis devido as inúmeras recomendações de amigos. Esta realizado. Não sai por motivo algum. Quando chegou aqui começou a construir instrumentos Sua casa foi montada de forma comunitária há 28 anos, junto com o ateliê. “Eu tenho 30 instrumentos que são especiais. Mas nunca pensei no nome. Só sei seu som.”

Depois de viver um tempo no sítio de Almir Sater, Polo se mudou para o Rio de Janeiro. Lá conheceu Milton Nascimento. "Com o Milton eu toquei muito. Gravei o disco Geraes, de 1976." A faixa 7, Caldera é uma composição do grupo Agua.

Depois de viver um tempo no sítio de Almir Sater, Polo se mudou para o Rio de Janeiro. Lá conheceu Milton Nascimento. “Com o Milton eu toquei muito. Gravei o disco Geraes, de 1976.” A faixa 7, Caldera é uma composição do grupo Agua.

O que Polo vê diante de sua janela do ateliê é mato. Pura vegetação cerca sua casa. A natureza compõe também a sua moradia. A rua que leva até sua casa fica a 100 metros da Lagoa da Conceição. Caminhando pelo mato, a partir dos fundos da casa, chega-se à praia da Joaquina.

O que Polo vê diante de sua janela do ateliê é mato. Pura vegetação cerca sua casa. A natureza compõe também a sua moradia. A rua que leva até sua casa fica a 100 metros da Lagoa da Conceição. Caminhando pelo mato, a partir dos fundos da casa, chega-se à praia da Joaquina.

Todo sábado, Polo convida todos amigos para participarem da Tocata. "É uma reunião de música. De improviso." Todos os instrumentos construídos ficam a disposição. "A ideia é que todos interajam, toquem ou cantem. É Energia e vibração." Polo afirma que cada encontro é imprevisivel. Pessoas diferentes vão, o que torna cada um único. Quem participa define como um ritual xamânico.

Todo sábado, Polo convida todos amigos para participarem da Tocata. “É uma reunião de música. De improviso.” Todos os instrumentos construídos ficam a disposição. “A ideia é que todos interajam, toquem ou cantem. É Energia e vibração.” Polo afirma que cada encontro é imprevisível. Pessoas diferentes vão, o que torna cada um único. Quem participa define como um ritual xamânico.

Além da música, Polo busca outras formas de expressar sua arte. Sua casa é cercada de totens. Muitos são esculpidos a partir da madeira. Há alguns de cimento. Outros são compostos por diferentes elementos encontrados no quintal da casa. "Gosto de pintar, construir e escrever também. Me expresso assim"

Além da música, Polo busca outras formas de expressar sua arte. Sua casa é cercada de totens. Muitos são esculpidos a partir da madeira. Há alguns de cimento. Outros são compostos por diferentes elementos encontrados no quintal da casa. “Gosto de pintar, construir e escrever também. Me expresso assim”

Polo se considera um 'brasichileno'. O português é corretamente usado. Mas o sotaque permanece. Dois filhos seus nasceram no Chile, um no Equador e dois no Brasil. "Os dois filhos que nasceram no Brasil foram nessa casa"

Polo se considera um ‘brasichileno’. O português é corretamente usado. Mas o sotaque permanece. Dois filhos seus nasceram no Chile, um no Equador e dois no Brasil. “Os dois filhos que nasceram no Brasil foram nessa casa”

 A precisão é essencial. Os óculos mesmo tortos conseguem desembaçar a visão de Polo para acertar a corda no buraco certo. Mas, o único horário de trabalho é de dia. Mais especificamente, das 15 horas às 17 horas. Enquanto houver luz. "Minha oficina exige muita precisão. Não enxergo mais direito, trabalho apenas com bastante luz." Mas não tão cedo, é preciso respeitar o horário de sono.

A precisão é essencial. Os óculos mesmo tortos conseguem desembaçar a visão de Polo para acertar a corda no buraco certo. Mas, o único horário de trabalho é de dia. Mais especificamente, das 15 horas às 17 horas. Enquanto houver luz. “Minha oficina exige muita precisão. Não enxergo mais direito, trabalho apenas com bastante luz.” Mas não tão cedo, é preciso respeitar o horário de sono.

No final de mais uma rua típica do Rio Tavares, dentro de um ateliê uma pessoa compõe instrumentos a partir de suas histórias. O conselho que Polo dá a todo visitante, é de ir conhecer a nossa América Latina. "Eu não tenho história ou país preferidos. Todos são especiais. Todas me fazem parte."

No final de mais uma rua típica do Rio Tavares, dentro de um ateliê uma pessoa compõe instrumentos a partir de suas histórias. O conselho que Polo dá a todo visitante, é de ir conhecer a nossa América Latina. “Eu não tenho história ou país preferidos. Todos são especiais. Todas me fazem parte.”