Florianópolis, 21 de novembro de 2017
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Provar cinemas

Reportagem:

Por Paloma Gomide

De tudo que vivi e já conheci, de tudo que o cinema trouxe e me carrega/leva. De estudante de cinema e apreciadora de luzes voláteis a uma sala negra para assistir O filme da minha vida*, que não é minha, mas poderia ser.

De tudo que é vaporável e desaparece em memórias não tão bem guardadas à herança que o cinema nos deixa em seu legado de vanguardas, histórias e direções singulares. O filme da minha vida poderia se mostrar a mim como um longa pensado e estruturado por experimentos de cinema em muitos níveis, o tempo todo. Desde enquadramentos completamente belos e entalhados pelo jogo de luz, sombra e movimento, a montagem que obedece a musica clássica, tilts e planos zenitais.

Prefiro pensar que o próprio longa me leve a ver o que é o cinema conduzido a tentativas que ele pode ser e oferecer. Um cinema que levou a experimentar aquilo que vi, estudei e talvez esqueci.

Da bolha de chiclete estourando à Sofia banhada pelos raios de sol atravessados pela cortina de crochê, a fotografia de Walter Carvalho ressalta aos olhos. Destacando-se as cores quentes e contrastadas que conferem ao longa o ar nostálgico, de espera e um pouco de passividade de que trata a história e o local naquela época em que se passa a trama.

De Tony andando de bicicleta pelos campos do Rio Grande do Sul à possibilidade de ser facilmente confundido com Louis Garrel percorrendo terras francesas. Mas feliz, de enfim o solo ser brasileiro.

De uma nova leva de filmes brasileiros ao cenário político atual à poesia que percorre e perpassa enfim sós na sala escura. Mesmo com o raio iluminando os rostos em close de quando em quando.

*O filme da minha vida (SELTON MELLO, 2017,BRASIL)