Florianópolis, 21 de outubro de 2017
Search
Evento de mulheres ocorre em diferentes espaços na UFSC

MARUIM participa da programação do Mundos de Mulheres (MM) e Fazendo Gênero

Reportagem:

Desde domingo (30/7) dois eventos integrados reúnem milhares de mulheres na Universidade Federal de Santa Catarina para dialogar sobre questões de gênero a partir das “Transformações, Conexões e Deslocamentos”. O nosso coletivo participa do Congresso Mundos de Mulheres (MM) e o Seminário fazendo Gênero nos fóruns de mídias e exibição do documentário “Pescadoras lutam por igualdade de direitos” (confira a programação no final da matéria). A programação completa conta com oficinas, mesas redondas, produções audiovisuais, vendas de artesanato e uma vasta agenda cultural.

Na mesa que coordenamos hoje (31/7), acadêmicas de diferentes localidades apresentaram trabalhos sobre a representação das mulheres na publicidade, rádios comunitárias e telejornalismo esportivo e a percepção de gênero em produções audiovisuais. A professora Marina Inês Amarante, da Universidade da Integração Latino-Americana, por exemplo, trouxe dados alarmantes sobre o cenário das rádios comunitárias no país. Gestionadas por políticos, famílias e instituições religiosas, muitas vezes, as rádios perdem o caráter comunitário sem a gestão popular, dificultando a participação de movimentos sociais, mulheres, indígenas e afrodescendentes nesses espaços.

O fórum destacou no fim da conversa como pontos fundamentais de ação a formação crítica para mídias na educação básica brasileira, com um maior fomento a pesquisas para profissionais da área; o desenvolvimento de redes de mulheres midiativistas e a inclusão de disciplinas de gênero nas grades curriculares dos cursos de Comunicação e Jornalismo. No Curso de Jornalismo da UFSC a disciplina optativa foi conquistada através da reivindicação das integrantes do Coletivo Jornalismo Sem Machismo, formado no segundo semestre de 2014.

A mídia comercial funciona na lógica empresarial, apenas 11 famílias controlam os principais meios de comunicação do país. Apesar do interesse público inerente ao jornalismo, a mídia negócio contribui na propagação das ideias hegemônicas machistas e racistas. O MARUIM acredita no potencial de transformação da realidade por meio do conhecimento em nossa profissão desenvolvendo uma prática que consiga aliar subjetividades a contextos sociais, mostrando as contradições presentes em nosso dia-a-dia, além de lutarmos pela democratização da comunicação.

A luta pelo fim do machismo é transversal e deve estar presente em todas as nossas produções ao dar voz a mulheres, na percepção de pautas, no trato e abordagem das histórias e até mesmo na nossa estrutura interna de trabalho coletiva, com uma coordenação decisória horizontal. A participação das comunidades e pessoas diversas em nossos materiais, com sugestões e trocas de mensagens, também contribuem para um jornalismo mais próximo de nossas realidades disposto a disputar ideias do senso comum. 

Exibição do documentário “Pescadoras lutam por igualdade” e roda de conversa

Terça-feira (1/8), das 17h30 às 19h30

Roda de Conversa “Mulheres construindo outras mídias” e Aniversário de 1 ano do Portal Catarinas

Sexta-feira (4/8), das 13h30 às 16h30

Pescadora Zenaide, conhecida pela sua composição Funk da Tainha, vai participar da exibição do documentário

Pescadora Zenaide, conhecida pela sua composição Funk da Tainha, vai participar da exibição do documentário