Florianópolis, 29 de julho de 2017
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Estudantes falam sobre fechamento de turmas

Fechamento de turmas noturnas em escolas estaduais no centro de Florianópolis é contestado na Câmara Municipal

Reportagem:

Por Joana Zanotto

A capital tem contado com um histórico nem um pouco prestigioso nos últimos dez anos de fechamento de escolas públicas estaduais na região do centro e continente da cidade. Neste ano fecharam as portas a Escola de Educação Básica Otília Cruz, em 2014 a Escola de Educação Básica Daysi Werner Salles, em 2010 a Escola de Educação Básica Celso Ramos, e a lista continua.

Por determinação da Gerência Regional de Educação, a Escola Estadual Básica Lauro Müller, no centro, está desde 2015 sem turmas no período noturno para o primeiro ano do ensino médio e desde o ano passado sem turmas noturnas para todo o ensino médio.

As/os estudantes prejudicados pela medida foram encaminhadas/os para a escola mais próxima, a Escola Estadual Básica Henrique Stodieck, porém neste ano não foram disponibilizadas vagas para o ensino médio também nessa unidade.

Na tarde desta quinta-feira (22/6), audiência pública solicitada pelo mandato de Marquito (PSOL) para debater o cancelamento das turmas e o fechamento de escolas estaduais na região reuniu juventude das escolas, professores e professoras da rede pública e movimentos sociais.

A jovem Maria Eduarda, moradora do Sul da ilha, aproveitou o espaço na tribuna para questionar Mauro Tessari, chefe de gabinete do Secretário de Educação Eduardo Deschamps.

– Quero saber se tivessem passando fome na sua casa, se você iria escolher trabalhar ou estudar e deixar a sua família sem comida.

Assista à entrevista e continue a matéria:

O professor Mauro Tessari afirmou que a secretaria está apenas “otimizando” recursos, com a colocação de alunos em outras escolas que os comportem. Ele apresentou números que demonstram ter diminuído, nos últimos anos, o número de matrículas de estudantes de nível médio, com maior procura por creches e escolas básicas na região central.

Os dados foram largamente contestados pela comunidade escolar presente. O vereador Marquito entregou a Mauro documentos que comprovam a recusa de 25 matrículas noturnas.

Para o presidente da associação de arte educadores de Santa Catarina, Marcelo Seixas, o pertencimento comunitário deve estar no centro do debate.

– Não se pode desconsiderar os conflitos já estabelecidos, quer seja por questões sociais ou o próprio tráfico. Isso tem que ser avaliado com mais cuidado. Deslocar comunidades que historicamente são conflitantes para uma mesma unidade é inviabilizar o próprio projeto político pedagógico da comunidade em si.

Assista à entrevista e continue a matéria:

A assessora jurídica do gabinete do vereador Marquito, Lorena Duarte, avaliou que “a audiência foi positiva porque vieram muitos estudantes, muitos professores, que falaram sobre a realidade das escolas”.

Ao final da audiência foi formado um Grupo de Trabalho, na Comissão de Educação, Esportes e Cultura, para reivindicar a manutenção das vagas e solicitar uma pesquisa às universidades com a identificação da demanda de alunos médios na região. Integram o grupo os vereadores Marquito (PSOL), Lino Peres (PT), Jeferson Backer (PSDB), Miltinho Barcelos (DEM) e Renato da Farmácia (PSOL).