Florianópolis, 12 de dezembro de 2017
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Grupo Bongar. Foto: Núcleo de Produção OI Kabum (Recife)

Caminhos abertos: Samba, Côco e Preto-velho guiam noite de celebração da cultura negra nesta sexta

Reportagem:

Por: Talita Ai Lô

A distância entre Florianópolis e a cidade de Olinda, em Pernambuco, se estreita toda vez que o pessoal daqui se junta com o de lá para pôr em prática um desejo em comum: manifestar a cultura negra. Nesta sexta-feira, 26/05, não será diferente, quando os Novos Bambas, grupo de samba raiz local, irão dividir o palco com o côco pernambucano do Bongar. O encontro, que terá início às 20h no Clube Novo Horizonte, é proporcionado pela Aláfia, uma produtora que, desde o seu surgimento, promove mensalmente eventos de valorização da negritude, “para que a consciencialização ocorra de janeiro a dezembro e não somente nas datas alusivas aos negros”, explica Alexandra Alencar, manezinha idealizadora do projeto.

Grupo Novos Bambas. Foto: Sete Fotografias

Grupo Novos Bambas. Foto: Sete Fotografias

Com pouco mais de um ano de atividades, a Aláfia – palavra iorubana que significa “caminhos abertos”, “vá em frente”, “continue” – promove, além do processo de valorização e empoderamento negro, o afroempreendorismo e a sustentabilidade. Nos eventos, há espaço para que artistas vendam produtos da cultura afro, como roupas, turbantes e tranças. “Qualquer um pode expor, independentemente da sua cor”, explica Marga Vieira, uma das coordenadoras da produtora, para quem a diversidade é aliada no trabalho dentro da Aláfia. Outra preocupação é que as festas gerem a menor quantidade de lixo possível, por isso, incentivam a utilização de copos reutilizáveis.

Nesta edição, o diferencial será o caldinho de feijão servido em potinho de barros, em homenagem aos pretos velhos, entidades das religiões de matriz africana celebradas em maio. Mês que, aliás, é significativo para os movimentos negros, que pela luta conseguiram transformar a comemoração da abolição da escravidão (13/5) em data nacional de combate ao racismo. Outra vitória dos movimentos foi a inserção, na agenda internacional, do Dia da África (25/5), comemorado desde 1963, quando foi fundada a Organização de Unidade Africana (OUA) na Etiópia.

Grupo Bongar. Foto: Núcleo de Produção OI Kabum (Recife)

Grupo Bongar. Foto: Núcleo de Produção OI Kabum (Recife)

Como a Aláfia ainda não conta com uma sede própria, desta vez, a parceria será com o Clube Novo Horizonte, espaço idealizado por negros, localizado na Avenida Beira-mar Norte, destinado à realização de eventos. Na ocasião, além de prestigiar o samba de raiz produzido por artistas locais, as pessoas terão a oportunidade de conferir, ao vivo, o repertório do CD “Samba de Gira”, álbum indicado ao Prêmio da Música Brasileira de 2017, lançado no ano passado pelo Bongar. Para além de uma festa, sexta-feira será um dia para estreitar as distâncias geográficas, étnicas e culturais.

Oficinas

Quem se interessar em conhecer mais a fundo o trabalho do Bongar poderá se inscrever nas oficinas realizadas pelo grupo. Na quinta-feira (25), a partir das 19h, haverá uma oficina de Percussão e Dança do Côco no Instituto Arco-Íris (Travessa Ratcliff, nº 56 – Centro). Na sexta-feira (26), ocorrerá uma oficina de Ilú, tambor afro-brasileiro usualmente utilizado em rituais religiosos, às 9h no Hostel On The Road (Servidão Família Nunes, nº76 – Campeche). Mais informações: (48) 999072389 / 996545369.