Florianópolis, 28 de junho de 2017
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Estreia hoje exposição Guerrero dos Desaparecidos

Trabalho da jornalista do MARUIM Luara Wandelli Loth está exposto como parte das atividades da 13ª  edição das Jornadas Bolivarianas. O material, composto de 22 fotos, estará exposto no Hall da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), do dia 15 ao dia 17 de maio. 

A exposição “Guerrero dos Desaparecidos” faz parte da grande reportagem, produzida em 2016, “Guerrero dos desaparecidos”, que narra histórias vividas por famílias assoladas pela violência no estado mexicano de Guerrero, no sul do México.

Atualmente, Guerrero apresenta os maiores índices de homicídio do país e tem o segundo maior indicador de pobreza extrema. A população indígena tem forte influência em todas as esferas da vida social e há décadas cria alternativas à violência de Estado e ao subdesenvolvimento.

Nas décadas de 1960-70, Guerrero foi um dos principais cenários da chamada Guerra Suja, que, como outros eventos de terrorismo de Estado na América Latina, deixou um rastro de centenas de desaparecimentos forçados e tortura. Desde 1960, a Serra do Estado de Guerrero está tomada pelos campos de amapola, matéria-prima da heroína. Nos últimos anos, a região desbancou o Oriente Médio e estima-se que produza 60% da heroína consumida nos Estados Unidos – o maior mercado da droga.

Um crime, em setembro de 2014, faria com que o mundo todo voltasse os olhos para essa região empobrecida: o http://maruim.org/2015/05/17/dossie-ayotzinapa-o-contexto-do-desaparecimento-forcado-de-42-estudantes-mexicanos-ha-sete-meses/. A convulsão social, originada pela indignação com a participação do Estado, fez com que centenas de famílias se organizassem para cobrar do governo medidas em relação à crise de direitos humanos, cujo ápice é o elevado número de desaparecimentos.

São 27 mil desaparecidos desde 2006. As famílias que compartilham a dor organizam-se de diferentes formas, mas o grupo que mais impressiona é o de Iguala, cidade onde ocorreu o desaparecimento dos 43 normalistas. Todos os domingos um coletivo de familiares, autodenominado Os Outros Desaparecidos de Iguala, sobe os morros que circundam a cidade em busca de valas clandestinas. Mais de 125 ossadas já foram encontradas graças ao esforço destes buscadores. A reportagem busca revelar que, por de trás da dor, há muita luta e vontade de fazer com que os corpos ocultados que pairam sob o solo de Guerrero brotem como férteis sementes de transformação.




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