Florianópolis, 20 de outubro de 2017
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Greve Geral em Florianópolis é marcada por paralisações e atos

Reportagem:

A mobilização para a Greve Geral começou cedo na Grande Florianópolis. Nas primeiras horas da manhã trabalhadores e trabalhadoras que aderiram à Greve Geral, do dia 28 de abril, além de realizarem a paralisação, organizaram bloqueios e barricadas em vias da região e saíram às ruas em protestos. A Greve contou com a paralisação de diversas categorias em todo o país, dentre as quais os metroviários, trabalhadores do transporte público, bancários, metalúrgicos, professores, petroleiros, aeroviários e aeronautas, funcionários dos Correios, da construção civil, do comércio e da saúde. As principais reivindicações são barrar a Reforma Trabalhista, que aguarda aprovação no Senado, e a Reforma da Previdência.

Trabalhadores do transporte urbano de Florianópolis aderem à Greve Geral

Trabalhadores do transporte urbano de Florianópolis aderem à Greve Geral

Em Florianópolis, os trabalhadores do transporte urbano lotaram uma tenda, na Praça de Lutas, na noite de hoje (27/04), para decidir a adesão à Greve Geral. Após aproximadamente uma hora e meia de debates os trabalhadores deliberaram a paralisação a partir da meia-noite de quinta-feira.

Por volta das 5h da manhã barricadas com pneus ou lixo foram ateadas com fogo, bloqueando vias como a BR 101 (próximo à Cassol), a via de acesso ao Aeroporto de Florianópolis, a SC 401, a SC 403, a via Expressa Sul e a Rua Desembargador Vítor Lima, no bairro Trindade, próximo à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

No centro de Florianópolis, apesar da grande adesão à greve, algumas lojas abriram pela manhã. Manifestantes protestaram em frente a essas estabelecimentos. Após desentendimentos entre os comerciantes e os manifestantes a Polícia Militar chegou no local e bloqueou a entrada de algumas lojas.

Estudantes protestam na UFSC

Estudantes protestam na UFSC

Na UFSC, os estudantes fizeram uma vigília em frente a Reitoria na madrugada do dia 28 de abril. No começo da manhã, eles bloquearam com barricadas de lixo e fogo a Rua Desembargador Vítor Lima, via de acesso ao bairro Carvoeira. Uma estudante foi detida. Por volta das 8h30 a rótula que dá acesso à Universidade foi ocupada pelos manifestantes.

Os técnicos-administrativos filiados ao Sindicato dos Trabalhadores da UFSC (Sintufsc) e os professores filiados à Seção Sindical na UFSC do Andes-SN participaram da Greve Geral. Já o Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc-Sindical) realizou uma enquete com seus filiados para saber a opinião dos docentes sobre a paralisação. Responderam à pesquisa 495 filiados, dos quais 291 são professores da ativa e 204 são aposentados. Entre os docentes da ativa, 183 responderam que são favoráveis à paralisação, 99 contra e nove se abstiveram. Entre os aposentados, 49% afirmaram que são favoráveis ao movimento, 40,7% são contra e 10,5% se abstiveram.

Para a professora do curso de pedagogia da UFSC, Roselane Campos, as reformas, se aprovadas, irão afetar profundamente a carreira dos docentes, por isso acredita que é importante que os professores participem da Greve Geral. “Não há nenhuma outra forma de luta senão mostrar claramente que a população, os trabalhadores do Brasil, sejam eles de qualquer categoria ou regime de trabalho, não podem aceitar as reformas que vêm. É a Greve Geral e Florianópolis está parada, o Brasil parou hoje, e esperamos que isso tenha repercussão”, explicou Roselane.

A maioria dos trabalhadores da educação municipal e estadual de Florianópolis aderiram à greve nesta sexta-feira. O Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte-SC) publicou uma nota afirmando que comunicou oficialmente o Governo do Estado sobre a paralisação do dia 28. O que deve evitar que o Estado registre falta injustificada aos trabalhadores que aderirem à Greve.   

Alguns professores e coordenadores de escolas privadas também aderiram ao movimento. Os educadores de escolas localizadas no bairro Itacorubi e região se mobilizam em frente à Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), no início da tarde, para seguirem juntos em direção ao Centro, onde no final da tarde ocorreu um Grande Ato contra as Reformas. Colégios como a Escola da Ilha, Autonomia, Sarapiquá e Escola Waldorf Anabá aderiram a Greve.

Professora de escola particular participa de mobilização da Greve Geral

Professora de escola particular participa de mobilização da Greve Geral

Presente na concentração do Ato, na Praça das Lutas, a professora da Escola da Fazenda (localizada no Campeche), Karine Antunes, revela que escolher pela adesão à greve não foi fácil. “Somos uma escola privada, então é um risco muito grande. Foi uma coragem do conjunto de trabalhadores da escola. Foi bonito por isso, porque foi uma construção com todos os trabalhadores, o pessoal da limpeza, o pessoal da secretaria. Os proprietários da escola lançaram uma nota dizendo que iam respeitar a decisão dos trabalhadores, e isso, claro, fortaleceu o conjunto dos trabalhadores em dizer ‘nós vamos parar’. Aí veio a segunda felicidade, que foi a grande maioria das famílias apoiar o movimento, declarar que já não iria mandar suas crianças pra escola, comentou Karine. Escolas privadas como Colégio Catarinense e Imaculada da Conceição também pararam suas atividades em apoio à Greve Geral.

A Praça de Lutas, localizada entre o Terminal de Integração do Centro (TICEN) e o Terminal Cidade de Florianópolis, no centro da cidade, reuniu trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias, e estudantes universitários e secundaristas. A mobilização que começou ainda pela manhã, foi crescendo durante a tarde.

Trabalhador foi orientado a não aderir a Greve Geral

Trabalhador foi orientado a não aderir a Greve Geral

No decorrer da tarde os trabalhadores que não aderiram à greve ou não puderam escolher paralisar suas atividades esperam pelo transporte alternativo organizado pela prefeitura no Terminal Cidade de Florianópolis. Apesar de ser a favor da Greve Geral o atendente de Call Center e morador do bairro Tapera, Lázaro Emílio, disse que não pôde aderir à greve. “Fui trabalhar hoje. Eles [os patrões] ficaram sabendo das vãs da prefeitura e falaram pra gente pegar esse transporte que nos próximos salários seríamos ressarcidos. Algumas pessoas faltaram porque falaram que não tinha ônibus saindo do bairro e não tinham carona, mas a maioria foi trabalhar, sim. Se eu pudesse não iria trabalhar, mas como recebi um e-mail diretamente do meu coordenador, dizendo que a gente deveria trabalhar porque o nosso sindicato não aderiu à greve, eu tive que ir. Mas eu sou bem a favor, acho que a gente tem que tentar fazer o possível pra que essas leis não sejam aprovadas, afirmou Lázaro.

No final da tarde se uniram à mobilização na Praça de Lutas, os trabalhadores do Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem), que até então estavam em assembleia na Praça Getúlio Vargas, também no centro da cidade. Cerca de 15 mil pessoas participaram do protesto. Após assembleia foi deliberado o início do ato, que teve como percurso a Avenida Paulo Fontes, a Beira-mar Norte e a Avenida Mauro Ramos. Por volta das 21h o Grande Ato foi finalizado próximo a Assembleia Legislativa.