Florianópolis, 21 de novembro de 2017
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Foto: Divulgação/MST

MST ocupa sede do INCRA em São José

Reportagem:

Por Michele de Mello

Na manhã desta segunda-feira (17/4), um grupo de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em São José. De acordo com a direção do MST, cerca de 400 pessoas participaram do ato, que homenageia as vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás.  Há 21 anos, no dia em 17 de abril de 1996, 21 sem-terra foram mortos durante uma marcha contra a desapropriação do terreno que ocupavam no município paraense. Atualmente, a data é comemorada oficialmente como dia nacional da luta pela reforma agrária.

Trabalhadores liberados na tarde de hoje

A ocupação deve ser mantida durante toda a semana que celebra a Jornada e não tem objetivo de impedir o trabalho do INCRA. “Nós defendemos que eles continuem o serviço, até por que o trabalho deles que permite nosso avanço”, afirma o dirigente estadual do movimento Nauro José Velho. Apesar disso, trabalhadores do órgão público foram liberados do expediente no período da tarde.

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No final da tarde, uma encenação foi feita revivendo o episódio: 21 cruzes de madeira foram fincadas na avenida beira – mar de São José. Foto: Divulgação/MST

Mobilização nacional

De acordo com o movimento, acontecem mobilizações em 21 estados durante essa semana, entre elas ocupações de sedes do INCRA e de terras improdutivas, como marco do início da Jornada de Luta pela Reforma Agrária.  Na madrugada do dia 10/4, duas propriedades foram ocupadas pelo MST no norte do estado, em Garuva e no oeste, em Fraiburgo.

“Com essa semana de atividades queremos evidenciar a necessidade de haver novas cessões de terra para a Reforma Agrária. Em Santa Catarina, faz quatro anos que nenhum latifúndio foi desapropriado. Amanhã uma comissão nacional de negociação do MST irá se reunir com representantes nacionais do INCRA para apresentar nossas reivindicações”, garante Nauro.

Outra demanda do movimento é a revogação da Medida Provisória 759, que tramita no Senado Federal e modifica a lei da Reforma Agrária.

“A nossa leitura é de que o INCRA não quer fazer a reforma agrária. Ele é o órgão responsável pela Reforma e acaba trancando ela. Sabemos que essa paralisia é uma consequência da falta de repasses de verba do governo”, diz Nauro Velho.