Florianópolis, 12 de dezembro de 2017
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Samba de Terreiro ocupa escadaria do Rosário com cultura centenária

Reportagem:

Texto: Rodrigo Chagas / Foto: Giuliane Gava

Vídeo: Priscila dos Anjos (reportagem), Lucas Feitosa (captação de som), Rodrigo Chagas (câmera), Victor Acosta (câmera e edição)

O samba é manifestação cultural das mais brasileiras que há. Obra da coletividade afro-brasileira, o samba deu seus primeiros passos convictos dentro dos terreiros, onde as pessoas se reuniam para cantar, dançar e brincar numa roda de samba. Dos terreiros, passou para as quadras das Escolas de Samba e, com o passar das décadas, tornou-se provavelmente o ritmo brasileiro mais conhecido pelo mundo afora.

Desde o início de 2017, inicialmente todas as terças-feiras, o projeto Samba de Terreiro passou a ocupar a Escadaria da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, com uma proposta de preservação e a divulgação da memória dos primórdios do samba no Brasil. O público abraçou a ideia e os músicos participantes, junto das senhoras e senhores do coro da Velha Guarda da Embaixada Copa Lord, comandam uma roda que reúne centenas de pessoas a cada edição. O grupo canta sambas que fizeram sucesso nas quadras de Escola de samba a partir de 1930, acompanhados pelos instrumentos clássicos do samba de terreiro: surdo, cuíca, pandeiro, cavaco e violão.

“Aqui é um lugar tradicional, é um lugar que tem que ter bastante gente, é um lugar que foi feito pelos escravos. E o samba que a gente traz aqui é o embrião do samba de Florianópolis. A ideia de trazer para cá foi por isso, porque aqui é um lugar sagrado abandonado. O centro de Florianópolis anda abandonado, vários lugares que deveriam concentrar gente com cultura, estão abandonados”, explica o historiador e idealizador do projeto Carlos Raulino.

Após o carnaval, a roda passa a ser mensal, sempre nas segundas terças-feiras do mês. Enquanto isso, o grupo que coordena o projeto, com cerca de 40 produtores/as, pesquisadoras/es e artistas da região, trabalham nos bastidores junto a instituições “para captar recursos que viabilizem a manutenção do Samba de Terreiro e a atração se torne uma realidade permanente no calendário oficial da cidade”.

“Foi uma coisa muito boa esta roda de samba aqui na escadaria, é o que estava faltando aqui para nós. No Rio tem as rodas de samba das Velhas  Guardas, mas aqui nós não tínhamos. Pro pessoal da cidade é muito bom porque pelo menos tem um dia na semana pra escutar os sambas antigos”, explica João Ferreira de Souza, integrante da Velha Guarda e um dos fundadores da Embaixada Copa Lord.