Florianópolis, 21 de novembro de 2017
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Protestos na Grande Florianópolis por melhores condições nos presídios

Reportagem:

Texto e fotos: Eduarda Pereira

Detentos das penitenciárias de Florianópolis e São Pedro de Alcântara estão em greve desde ontem (03/04) por melhorias nas unidades prisionais do estado. De acordo com familiares, os presos permanecerão em suas celas, sem sair para trabalhar, receber visitas ou tomar banho de sol até que melhorias sejam anunciadas. Do lado de fora, familiares manifestam seu apoio, denunciam abusos sofridos durante revistas para ingressar nos presídios e pedem melhorias nas condições sanitárias. O grupo, formado principalmente por mães, companheiras e parentes dos detentos, faz vigília em frente à penitenciária de Florianópolis, na Agronômica. O movimento deve seguir até o fim da semana e também está acontecendo em Blumenau.

As participantes da manifestação afirmam enfrentar constrangimentos para entrar no presídio nos dias de visita. Elas denunciam abusos cometidos por agentes durante a revista e acusam as funcionárias de abuso de poder. Faixas estendidas durante o ato desta segunda-feira (3/4) pediam o fim da revista íntima em crianças, prática que fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. “A gente não quer que a revista acabe, só que nossos direitos sejam respeitados”, afirmou uma das manifestantes, que preferiu não se identificar por questões de segurança.

Entre os principais problemas apontados está a saúde dos detentos. Segundo a manifestante, a comida servida é de má qualidade e muitos ficam sem receber tratamento médico e odontológico por meses. A falta de higiene é citada por todas as entrevistadas. “A comida chega a dar ânsia de vômito, nas celas tem bicho, barata”, denuncia uma familiar. Ela conta também que, em alguns lugares, não há chuveiros.

O Departamento de Administração Prisional (Deap) se defendeu, em nota, das acusações, alegando que as unidades prisionais do estado têm sido auditadas frequentemente pelo judiciário e “nada de irregular foi encontrado”. Afirmou também que matem livre acesso aos órgãos internos e externos de fiscalização, como sua Corregedoria-Geral, Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Conselhos da Comunidade e demais entidades ligadas aos Poderes Públicos ou à sociedade civil. Por fim, informou que iniciou ontem (3/4) a instalação de 12 escaners corporais, que permitirão extinguir revistas íntimas em 14 unidades prisionais onde estão detidos 11 mil presos (60% da população carcerária de SC).