Florianópolis, 22 de novembro de 2017
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“Não suportamos mais!” – profissionais da emergência do principal hospital da cidade decidem parar 4 horas por dia

Reportagem:

Nos horários entre as 15h e as 17h e entre as 21h e 23h, as/os servidores que atuam na emergência do hospital Governador Celso Ramos, no centro de Florianópolis, decidiram paralisar o atendimento a partir de hoje, quinta-feira (19/1). A decisão se deu por conta de uma situação que, segundo as/os profissionais, se arrasta há semanas: a emergência do hospital está superlotada e com falta de pessoal. Uma nova reunião entre sindicato, servidoras/es e secretaria está marcada para a próxima terça-feira (24/1). Até lá, a recomendação é que a população evite procurar a emergência do hospital nos horários de paralisação, exceto os casos de urgência que serão atendidos normalmente.

Nos últimos dias, cerca de 300 atendimentos por turno de 12 horas tem sido realizados por uma equipe reduzida de profissionais. Além disso há pelo menos 40 pessoas internadas na emergência por falta de leitos no hospital. No começo da semana, a direção do hospital, que tem cerca de 70 leitos fechados por falta de funcionárias/os, havia sido procurada para tomar providências.

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Trabalhadoras/es decidiram por unanimidade por paralisar parcialmente o serviço até terça-feira (24/1). Foto: Rodrigo Chagas/MARUIM

Hoje, em reunião com o sindicato que representa as/os trabalhadoras/es, a Secretaria do Estado da Saúde pediu prazo até terça-feira para apresentar uma proposta que contingencie a falta de pessoal na emergência. Trabalhadoras/es, por sua vez, se disseram cansados de promessas e decidiram em assembleia aguardar o prazo, mas com paralisações diárias de 4 horas.

Faltam 6 mil servidores na saúde estadual

O fechamento de leitos, unidades e a sobrecarga de quem está na ativa por conta da falta de profissionais nos hospitais de Santa Catarina tem sido comum nos últimos anos. Segundo o recém-empossado secretário da saúde, o médico Vicente Caropreso, são dez mil servidoras/es em atividade, mas há 16 mil postos de trabalho. Por conta desse cenário, há serviços e leitos fechados em praticamente todas as unidades. No Hospital Regional de São José, por exemplo, metade dos leitos da maternidade foram fechados no final do ano passado e a outra metade pode ser fechada em breve. No Hospital Infantil Joana de Gusmão, dos 20 leitos de UTI inaugurados em 2016 após 3 anos da construção, 12 permanecem sem uso por falta de funcionárias/os.

O secretário Caropreso promete buscar uma saída e sinaliza para criação de uma empresa pública de direito privado para gerenciar todos os hospitais públicos do Estado. A proposta preocupa o sindicato das/os trabalhadores da saúde, SindSaúde/SC.  “Deixam a situação ficar calamitosa e aparecem com essa solução. Como se uma empresa fosse resolver alguma coisa. Pelo contrário, onde as empresas ou Organizações Sociais entram, o serviço piora. É o que temos visto. Inclusive, normalmente a porta de emergência é fechada. Só os 100% públicos permanecem abertos à população em geral e é por isso que não abrimos mão do serviço 100% público, com contratação de servidores públicos”.