Florianópolis, 21 de novembro de 2017
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Marchas ‘transbordam’ reivindicações em defesa das ocupações em escolas e universidades    

Reportagem:

Texto: Anderson Dias Silveira

Fotos: Marcelo de Francheschi

“Decidimos por transbordar”. Essa foi a frase lida pelas estudantes do Centro de Ciências Biológicas (CCB) no início de uma das marchas em apoio às ocupações e em defesa da educação pública na tarde desta sexta-feira (25/10). A decisão por transbordar indica o fim da ocupação no centro, prevista para o dia 29/11, e reflete a ideia de espalhar o movimento para outros espaços. As ocupações em escolas e universidades ocorrem por todo Brasil em protesto contra a Proposta de Emenda Constitucional que impõe o teto de gastos públicos por 20 anos corrigidos apenas pela inflação, a PEC 55.

Faltando cinco dias para o primeiro turno de votação da PEC 55 no Senado, duas marchas contrárias à proposta ocorreram em Florianópolis. Uma delas partiu da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a outra começou na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). As duas marchas se encontram em frente a uma escola ocupada desde o dia 18 deste mês, a Escola de Educação Básica Simão Hess, marcando o fim da ocupação nesta instituição de ensino médio. “Decidimos sair com vocês e não com a polícia”, disse uma das estudantes secundaristas enquanto lia a carta pública que assinalava o fim da ocupação.

Uma das marchas foi promovida por alunas(os), servidoras(es) e professoras(es) que participaram do acampamento docente da UFSC. O grupo, em apoio aos estudantes que ocuparam alguns prédios da universidade, passou quatro dias acampado em frente à reitoria da instituição. Nos últimos dias, a tenda montada pelos docentes recebeu assembleias, aulas públicas, rodas de conversa, exibição de documentários, intervenções artísticas, entre outras atividades.

Na sexta (25/11), as atividades do acampamento docente começaram por volta das 8h e, no horário do almoço, o movimento liberou as catracas do Restaurante Universitário. Segundo alguns membros, a ação foi uma crítica aos últimos jantares promovidos pelo presidente da república, Michel Temer (PMDB), com objetivo de convencer congressistas a apoiarem a PEC 55. As(os) estudantes que se aproximavam de uma das entradas do restaurante eram surpreendidas(dos) com as frases: “hoje não precisa de passe, a catraca está liberada”. E com uma provocação: “se o Temer faz jantar para os ricos, faremos nosso próprio banquete”.

Por volta das 16h a marcha que partiu da UFSC passou pelo Colégio de Aplicação, também ocupado, em manifestação de solidariedade aos estudantes. Logo depois, o grupo percorreu outras ruas, passando pela casa do estudante universitário e pelo prédio 2 da reitoria até chegar na escola Simão Hess, local de encontro dos grupos. As duas marchas se juntaram e retornaram para UFSC. O ato reuniu aproximadamente 350 pessoas, considerando as duas marchas.