Florianópolis, 22 de janeiro de 2018
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Cresce mobilização na UFSC contra PEC 241: CFH ocupado

Reportagem:
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As barracas permanecem armadas no hall do CFH e, junto de faixas e cartazes, transformam o cenário do centro Foto: Laís Schmidt/MARUIM

Desde segunda-feira (31/10), estudantes de psicologia transformaram a rotina do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da UFSC — elas/es ocuparam o hall do centro em protesto contra o novo regime fiscal proposto pelo governo de Michel Temer (PMDB) com a PEC 241, agora PEC 55 e tramitando no Senado Federal após aprovação pelos deputados. A iniciativa partiu de uma assembleia das/os estudantes do curso de psicologia, mas já envolve estudantes de outros cursos da universidade e pessoas da comunidade em geral. Nesta quinta-feira (3/11), às 18h30, vai acontecer uma assembleia estudantil envolvendo todos os cursos do CFH, que poderão decidir se somar à mobilização.

Em entrevista respondida coletivamente pelas pessoas da ocupação ao MARUIM, o grupo explica que “a mobilização no centro escancara no CFH a necessidade de tomar alguma atitude frente a este cenário, não é mais possível passar despercebidos frente a essa retirada massiva de direitos e ataque às políticas públicas brasileiras”.

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“A ocupação é um processo de crescimento. Crescimento de estudantes, crescimento das mobilizações e da luta pelos direitos já conquistados.” Foto: Rodrigo Chagas/MARUIM

Construindo a greve geral

O dia 11 de novembro, sexta-feira da próxima semana, foi escolhido por uma grande coalizão de centrais sindicais e movimentos sociais como um dia nacional de paralisação – greve geral – contra as reformas de estado propostas pelo atual governo. A ocupação do CFH também decidiu se somar nas mobilizações desse dia, buscando a unificação das pautas de estudantes e trabalhadoras/es. “Construindo uma mobilização do micro para o macro”, elas/es acreditam ser possível “parar a produção e mexer diretamente no balanço econômico da classe empresarial, fazendo com que ela tenha que dar resposta a estas mobilizações”.

 

 

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Esta foto que mostra uma intervenção da ocupação nas salas de aula viralizou no facebook com o post de uma estudante de psicologia. “Fica a dica pros professores, então: as coisas não vão se arrumar sozinhas. É a gente, com muita luta e resistência, que vai fazer as coisas se arrumarem. E isso não vai respeitar a zona de conforto de vocês”, dizia o trecho final do texto publicado pela estudante Luiza Fernandes. Foto: Divulgação/Facebook

Rotina alterada

As aulas e o calendário acadêmico, por ora, estão mantidos, mas não há quem estude no CFH e permaneça totalmente alheio ao movimento e suas pautas. A decisão pelo formado de vigília, sem paralisação das atividades foi tomada em assembleia: “acreditamos que é no contato cotidiano que o curso e o corpo estudantil deve se mobilizar e pensar sobre o que está acontecendo”.

No primeiro dia de ocupação, as carteiras e cadeiras de todas as salas de aula amanheceram viradas de pés pro alto, há barracas permanentemente armadas no hall central, faixas gigantes e pequenos cartazes espalhados por todos os lados, há intervenções a todo momento. Para esta quinta-feira (3/11) por exemplo, estão programados, além da assembleia geral no final da tarde, uma palestra com o professor do curso de economia Nildo Ouriques, às 10h, e uma aula aberta do curso de serviço social sobre a PEC 241/55. As atividades são comunicadas através da página no facebook Ocupa Psicologia UFSC.

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Estudantes do Colégio de Aplicação da UFSC, também mobilizados contra a reforma do ensino médio, o programa Escola Sem Partido e a PEC 241, passaram pelo CFH ocupado antes de sair em caminhada pelas ruas da Trindade até a escola Simão José Hess, onde também há articulação estudantil. Foto: Laís Schmidt/MARUIM

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Ocuparte. O feriado de finados (2/11) foi de atividades artísticas promovidas pela ocupação no café do CFH. O encerramento foi com show acústico do músico François Muleka. Foto: Rodrigo Chagas/MARUIM

Mas o que acontece dentro de uma ocupação?

Discussão. Muita. Além das reuniões diárias definindo e redefinindo os rumos do movimento e que se estendem por horas, professoras/es são convidadas a dar aulas públicas aproximando o conhecimento acadêmico da conjuntura do país, representantes de outros movimentos de ocupação vêm buscar diálogo e articulação, conversa-se sobre as atividades culturais, intervenções e debates a serem organizados, fala-se sobre as normas de convivência, a negociação com a direção do centro e a segurança da UFSC, sobre a comida por fazer e as salas de aula por reordenar.