Florianópolis, 22 de novembro de 2017
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MARUIM desenvolve oficina de comunicação popular na EJA

Reportagem:

Texto de Joana Zanotto

Na semana passada o MARUIM deu a sua primeira oficina de comunicação popular com estudantes da Educação de Jovens e Adultos, na Escola Básica Silveira de Souza, no centro de Florianópolis. Na atividade, discutimos sobre o direito à comunicação e sobre o papel do jornalismo em nossa sociedade. Por fim, criamos um mural organizado em conjunto, com os temas propostos pelas alunas e alunos. Nas próximas semanas realizaremos a oficina com as outras turmas.

“Eu não gosto do Hélio Costa, chamou meu pai de vagabundo quando ele foi preso”, comentou um dos jovens sobre o apresentador do programa policial Cidade Alerta do Grupo RIC em Santa Catarina. A pergunta que instigou a resposta era simples: “vocês se enxergam nos telejornais?”.

As violações de direitos humanos cometidas por programas policiais são tão comuns na TV aberta brasileira que no próximo dia 14 entra no ar uma nova plataforma desenvolvida para monitorar queixas contra esse tipo de programa. A iniciativa do coletivo Intervozes e da Fundação Rosa Luxemburgo visa produzir um ranking depois.

Como fazer diferente?

Criamos um mural em coletivo com os assuntos escolhidos pelas/pelos estudantes para comunicar para o resto da escola e da comunidade o que gostaríamos. Os temas propostos foram “legalização da maconha”, “violência”, “união faz a força”, “grêmio estudantil”, “amor ao próximo”, “direitos na escola” entre reivindicações de disciplinas como “educação física” e “artes”. Categorizamos cada um dos temas e os hierarquizamos para desenvolver o mural de forma organizada como se fosse um grande jornal.

Cada pessoa se expressou de uma forma, com desenhos, colagens e textos. Ivonete aproveitou o espaço para convocar estudantes de outras turmas para participarem do grêmio estudantil ao qual faz parte, e que está inativo temporariamente por falta de adesão. Com o trabalho de faxineira, Ivonete não consegue frequentar a escola todos os dias, realidade compartilhada por outras pessoas que cursam a EJA. Fato que dificulta as possibilidades de desenvolver atividades para a organização que deve representar as necessidades das/dos estudantes na escola.

Talvez por isso Ivonete tenha aproveitado a oficina ao máximo, “a gente precisa de união”, disse para incentivar mais gente a fazer parte do grêmio Ela ficou até meio-dia terminando seu comunicado – uma hora após o término da aula – e pendurou conosco o mural na parede do refeitório. “Foi muito lindo!”, falou por fim a estudante ao ver o seu informe no mural exibido.