Florianópolis, 22 de novembro de 2017
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Começa amanhã nossa nova série de reportagens sobre o drama vivido pelos centroamericanos no México para chegar aos EUA

Reportagem:

Amanhã o Maruim publica a primeira parte da série Tenosique – a caminho do norte: “Para fugir da violência, centroamericanos arriscam suas vidas no México”. Nosso ponto de partida será o Trem da Morte ou La Bestia, como é chamado o trem de carga usado por imigrantes centroamericanos para chegar à fronteira com os Estados Unidos desde o sul do México.
Grande parte dos que decidem arriscar suas vidas pendurado por horas na parte de fora do trem cargueiro está fugindo da extrema violência em seus países de origem. É hondurenha a cidade com o maior índice de homicídios para cada cem mil habitantes do mundo. Chama-se San Pedro Sula. Os baixíssimos salários e o desemprego também levam os centroamericanos a se jogarem em uma jornada longa, incerta e tão perigosa quanto à permanência em El Salvador, Honduras ou Guatemala, de onde saem a maioria dos que emigram.
São inúmeros os relatos de seqüestros, estupros e massacres na travessia pelo México. Nesta montanha russa, também embarcam adolescentes desacompanhados. E até o amor é motivo para romper as fronteiras, onde o perigo parece pequeno perto da vontade de aproximar aquilo que as armas separaram.
Contaremos a história de algumas das 10 mil crianças centroamericanas que, em 2015, o governo dos EUA ordenou a deportação. Mesmo com a continuidade política massiva de deportações nos EUA, o México é atualmente o país que mais expulsa imigrantes centroamericanos. Nos últimos anos, o México têm aplicado uma política anti-imigratória rígida e em parceria com EUA: trata-se do Plano Fronteira Sul.
Para conhecer essas histórias, acompanhamos o dia-a-dia do Albergue-hogar para Personas Migrantes – La 72, em Tenosique, no Estado de Tabasco, fronteiriço à Guatemala. É lá que muitos centroamericanos, sobretudo, hondurenhos, sobem no trem e começam a viagem, alguns pela 8ª vez. Apenas 18% chegará aos Estados Unidos. No albergue muitos esperam meses, às vezes famílias inteiras, por um visto humanitário.
Os voluntários da 72, fundada por frades Franciscanos, denunciam constantemente a atuação do crime organizado contra os imigrantes e as ilegalidades cometidas pelo Estado, que muitas vezes mobiliza forças policiais e militares para fazer o trabalho das autoridades imigratórias e criminalizar o imigrante. Ao deter e perseguir os viajantes, o Estado mexicano nega a existência dos direitos das pessoas em trânsito e torna o trajeto ainda mais perigoso.
Leia nossas quatro reportagens sobre o assunto e descubra que a fronteira entre a tragédia centroamericana e o sonho de ganhar em dólares começa muito antes do Rio Bravo, na fronteira com os EUA.