Florianópolis, 19 de maro de 2019
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A UFSC na mira da ditadura

Reportagem:

Em 1970, seis anos após o golpe cívico-militar e durante a vigência do Ato Institucional 5, o Secretário de Segurança de Santa Catarina, general Paulo Gonçalves Weber Vieira da Rosa, exigiu investigação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sobre um trabalho realizado por alunos do Colégio de Aplicação. O que despertou atenção da ditadura foi uma tarefa do 1º colegial na disciplina de História Geral que perguntava sobre causas do subdesenvolvimento brasileiro. Nas repostas havia termos proibidos para a época: “democracia disfarçada – militarizada – corrupção”.
Diante da preocupação do general Vieira da Rosa – conhecido como “rosinha”, foi prefeito biônico de Florianópolis nos primeiros anos do regime – foi aberta sindicância na universidade. O diretor do Centro de Educação da UFSC, Nilson Paulo, ligado à Escola Superior de Guerra (ESG), reuniu-se com o professor da disciplina investigada, Filomeno Neto. Após analisar as 19 folhas de caderno concluíram que ali nada havia de subversivo. O caso foi arquivado.
Em resposta ao general, foi dito que o professor “jamais falara a respeito de “Democracia Disfarçada – Militarizada- Corrupção”. E que, ao perceber a resposta considerada subversiva dos alunos, alertou: “eles estavam integralmente equivocados. Que o quadro era inverso, isto é, que o Governo Revolucionário estava combatendo as causas do subdesenvolvimento em nosso país.”
A caricata investigação à subversão dos alunos do Colégio de Aplicação é apenas um dos inúmeros casos em que a Universidade atraiu olhares preocupados da ditadura que governou o Brasil de 1964 até 1985. Do início do regime, quando as principais lideranças estudantis do estado foram presas, até após a reabertura política, a UFSC foi tema de milhares de páginas de investigações dos órgãos de segurança do regime. O Serviço Nacional de Informações (SNI) continuou fichando os considerados subversivos durante a década de 90.
Os documentos abaixo têm diversas origens. Polícia Federal, Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), SNI e Secretaria de Segurança Pública são algumas fontes. Somente no Arquivo Nacional, há cerca de mil documentos relacionados a UFSC durante a ditadura.
Além destes, há outros na Universidade e muitos que foram eliminados. Dentro da própria UFSC havia uma ramificação da inteligência militar. Em sala ao lado do gabinete do reitor funcionou a Assessoria de Segurança de Informações (ASI/UFSC), que, entre o início da década de 1970 até 1986, investigou a comunidade acadêmica. Até agentes de consulados dos Estados Unidos notavam o cotidiano da Universidade.
Texto e pesquisa documental de Mateus Bandeira Vargas, para o MARUIM.

 

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